segunda-feira, agosto 29, 2005

Resquícios do Notícias Populares


Observe a delicadeza ao noticiar um falecimento. Uma finesse incrível.


Foi no dia 20 de janeiro de 2001. O popularíssimo jornal Notícias Populares parou de ser publicado, dando lugar ao jornal Agora, que não seguiu a linha popular escrachada e repleta de humor negro, branco e mestiço de seu antecessor. Uma grande perda aos que apreciavam o estilo humorístico popularesco que a publicação possuía, trazendo manchetes absurdas e cheias de trocadalhos (sic). "A morte não usa calcinha", "Broxa torra o pênis na tomada", "Churrasco de vagina no rodízio do sexo" eram algumas das manchetes de capa do jornal. Com o fim do jornal, o Brasil perdeu sua única publicação com coragem de fazer algo do tipo. Será?

Apesar de não haver até hoje um substituto à altura do NP, temos espalhados pelo país muitos resquícios do jornal, seja via TV, rádio ou jornal impresso. E até pelo novíssimo Jornalismo Online. Aliás, especialmente neste último.

As matérias bizarras que Ratinho apresentava em seu programa nos tempos de 190 Urgente na Gazeta, na Rede Record e no início de sua estadia no SBT eram pura influência do NP. Quem lembra do caso cara que se vestiu de vaga-lume, com direito à uma lanterna na bunda, e acabou sentando em cima do negócio, fazendo o mesmo adentrar seu brioco? E do rapaz que foi ter relações sexuais com um pneu e acabou entalado? E o que foi fazer o mesmo com uma garrafa de Coca-Cola e teve o mesmo problema? E o que foi fazer o mesmo com um melão? Pois é, tem gente trepando com cada coisa... No 190, uma matéria é inesquecível para mim: "Acharam um braço no parque". A câmera dava um baita zoom no braço cortado no meio da grama, enquanto o repórter anunciava: "Se esse braço for seu, ligue para..."

Em Caruaru, o programa Sem Meias Palavras é a atração do jornalismo popular policial e bizarro. A especialidade do repórter Givanildo Silveira é entrevistar ladrões, normalmente bêbados. Givanildo tem ainda a mania de conseguir com que os bandidos cantem, dancem, falem frases bizarras, como "Quem não deve não treme", além de possuir a maior cara-de-pau do mundo. Consegue ficar sério em frente a um bandido trêbado, enquanto este canta "Ei ei ei, sem você não viverei..." Se você tem curiosidade de assistir pérolas de Givanildo e seus bandidos alcoolizados, visite o site do programa. Tem muitos vídeos para deliciar o mais afoito fã do bizarro.

Já no jornalismo escrito, temos vários exemplos, espalhados por várias publicações, de jornais impressos ou online. Citarei aqui as melhores manchetes que encontrei, seguidas dos links para suas respectivas matérias:

Morreu atingida por excremento canino

Mulher guineana surpreende vizinha comendo o cérebro de seus filhos

Médicos trocam sexo de garoto chileno por engano

Texugo trapalhão tropeça e cai

Ex-Power Ranger acusado de assassinato

Ladrões são presos após sofrerem assalto no Rio

Mulher traída arranca pênis de marido à dentadas

Advogado tira olho do cliente no tribunal

Para mais do mesmo,visite a comunidade "Anão vestido de palhaço mata 8" no Orkut.

Que saudades do NP, o jornal que possuía esse estilo de jornalismo inigualável, o jornalismo moleque, o jornalismo gingado, o jornalismo que orgulhava nosso país, rindo dos problemas que possuímos. Hoje em dia, com o escândalo Luís Inácio Lula Molusco da Silva, teriam assunto pra dar e vender. E trocadilhos também. É cada coisa estranha que acontece: velhinha filmando tráfico, ladrão sendo assaltado, pessoas enchendo a cueca de grana, CD que fode olho de Roberto Jefferson...

Notícias Populares, não sabes quanta falta me faz.

5 comentários:

disse...

Sobre Roberto Jéfferson e seu olho roxo: "Jéfferson toma porrada de armário enfurecido".

Sobre o dinheiro na cueca: "Grana na cueca! O dinheiro veio freado"

Sobre mensalão, Marcos Valério e a crise política: "Careca entrou no governo e deixou Lula ardendo".

leo disse...

Mano...NP demais...mas Givanildo e o Sem Meias Palavras são maravilhosos!!..>Ta loko, viu1

É com vc, Edeilson!

Baiano disse...

Olha, que tributo ao jornalismo trash. É algo tipicamente brasileiro. Não é gonzo, é um jornalismo que só tem no Brasil. Que "The Sun", que nada!

O Jão faz parte da nova geração q ñ deixará esse jornalismo morrer.

Róger disse...

E a gente perdeu a oportunidade de fazer akela merda d artigo científico sobre o NP, garanto q teria sido bem mais engraçado...

Anônimo disse...

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